O autismo social e o futuro da comunicação

O autismo social e o futuro da comunicação

Participei esta semana da reunião de pais na escola da minha filha e ouvi a diretora falar sobre a preocupação crescente da instituição com o autismo social. Segundo ela, os casos têm aumentado consideravelmente fruto de uma alienação que as crianças têm sentido dentro das próprias casas.

Pais, mães e filhos conectados com seus aparatos tecnológicos, 24 horas ininterruptas, e desconectados da conversa no café da manhã, no almoço e no jantar, da leitura do livro antes de dormir, do passeio de bicicleta no parque no final de semana (sem ouvir ou ler mensagem no whats)…

A reflexão aqui não vem para discutir ou apontar erros e acertos nas formas de convívio familiar. Mas, ao ouvir a explanação da diretora, pensei automaticamente como será a geração fruto do autismo social, com a qual eu terei que conversar como especialista em comunicação interna de uma empresa!

O autista tem como característica inabilidade para interagir socialmente, dificuldade no domínio da linguagem para comunicar-se ou lidar com jogos simbólicos, padrão de comportamento restritivo e repetitivo. Além disso, autistas têm dificuldade de lidar com mudanças, por menores que elas sejam.

É óbvio que aqui estamos falando de características inerentes aos autistas diagnosticados com a doença nos seus mais diferentes níveis e que não são, necessariamente, parte do quadro de um autista social.

Mas a dificuldade de interação social e de lidar com as mudanças, requisitos mais que necessários num processo de comunicação, estão presentes neste quadro de autismo social.

O limite que os pais antes tinham que impor aos filhos é preciso agora ser trabalhado também por eles.

… Há tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e de dançar….

É preciso saber trabalhar nossos tempos, mesmo os diários. É preciso estar mais presente na vida de nossas crianças e trazê-las ao convívio social face to face 😉

O futuro agradece!

O que mais me assusta na comunicação

O que mais me assusta na comunicação

31 de outubro, Dia das Bruxas. Parei para pensar o que mais me assusta quando falamos em comunicação. E a “falta de estratégia” veio como um ‘raio’, menos que um segundo após meu pensamento.

É incrível este assunto ainda fazer parte do conteúdo de um blog voltado para questões de comunicação – Herbert Marshall McLuhan deve estar se revirando na tumba neste momento – mas a verdade é que, em pleno 31 de outubro de 2017, a estratégia não guia a comunicação dentro das empresas.

Se você perguntar para os responsáveis pela comunicação nas empresas para quem eles estão comunicando Eles sabem responder. O que eles estão comunicando? Eles sabem responder. Com que propósito eles estão comunicando? Eles sabem responder. Com qual objetivo eles estão comunicando? ….

Não vou dizer que ninguém sabe responder, pois jamais irei generalizar. Mas posso sim afirmar que, no máximo, 5% num universo de 100 questionamentos.

O grande problema, segundo os comunicadores, é que é difícil fazer a gestão da comunicação de forma estratégica, se nem a própria empresa sabe aonde e por qual motivo chegar.

Pois bem, quantos destes comunicadores explanam para os dirigentes da empresa a dificuldade, ou melhor, a ineficiência de se fazer comunicação sem uma estratégia? Entrar diariamente ou semanalmente em uma reunião, anotar o que está sendo pedido, e sair correndo fazer a matéria ou conteúdo para não perder o prazo, não dará para o board da empresa a sensação que aquilo não funcionará de nada (e eles não têm mesmo que saber, afinal fomos contratados para isso).

Se estamos num navio à deriva, e fomos chamados para melhorar a o dia a dia dos tripulantes, temos que alertar o comandante de que não poderemos contar com a confiança da tripulação, pois ela está ciente de quem ninguém sabe para onde o navio vai. E na primeira hora que passar um navio com aparência de maior segurança, ela (tripulação) saltará ao encontro dele.

Vamos virar esse jogo de comunicação sem estratégia? Só depende de nós! Assim no próximo ano, no Dia das Bruxas, quem sabe não estarei me assustando apenas com a Zombie Walk 2018 😉

Quais são as coisas pelas quais você é grato?

Quais são as coisas pelas quais você é grato?

Estou vivendo a experiência do coaching e uma das atividades desta semana foi pensar e escrever sobre 40 coisas pelas quais sou grata.

Num primeiro momento achei meio perda de tempo, pois sou uma pessoa agradecida por natureza mas, ao começar a refletir para escrever, me dei conta do quanto o exercício é engrandecedor.

Ao pararmos para pensar e “contabilizar” sobre o que somos gratos, situações e pessoas vêm a nossa mente e revivemos emoções que muitas vezes nos passaram despercebidas.

Além disso, nosso olhar para o outro se recicla. Quantas coisas pelas quais você é grato não são fruto desta pessoa que está ai ao seu lado, quer seja na vida pessoal ou na profissional?

Como tenho falado muito sobre liderança, um tema que me encanta e que para mim é a espinha dorsal de um processo de comunicação interna, achei que este exercício poderia ser extremamente útil para muitos líderes.

Ao escrever sobre coisas pelas quais é grato dentro do ambiente de trabalho, um líder pode reciclar o olhar para seu respectivo time e passar a perceber – e mais importante ainda, compreender – as pessoas que dele fazem parte!

E você, quais são as coisas pelas quais é grato? Compartilhe conosco!

Qual a busca comum da empresa onde você trabalha?

Qual a busca comum da empresa onde você trabalha?

Neste final de semana assisti pela segunda vez com minha filha “Os Croods” – 1. Durante o filme, fiquei pensando sobre como a força de um propósito movimenta as pessoas e como isso é tão importante dentro de um processo de comunicação interna.

A família Croods busca o amanhã. Cada um a sua maneira, com seus medos e crenças, mas todos lutando em prol do mesmo objetivo. Na comunicação o engajamento e a motivação fazem parte do dia a dia e pensar em ações que levem a esses resultados é um dos maiores prazeres para um comunicador. Mas quando a empresa, a instituição, não tem um propósito para ser trabalhado é praticamente impossível contar com o comprometimento do time de colaboradores.

O mais curioso é que muitas vezes a empresa tem esse propósito, mas não consegue transformá-lo em um motivo de inspiração. E não estou falando da “Missão” que faz parte da trio Missão, Visão e Valores. Essa “Missão” sem propósito é quadrinho de parede. Estou falando de algo maior, que tenha o poder de todos os dias te levar a deixar sua caverna, pular os obstáculos e caminhar ao encontro do “sol”.

Um profissional da comunicação tem essa expertise de transformar propósito em inspiração e precisa deixar claro que este é o primeiro passo na busca de qualquer objetivo.

Aproveito para perguntar: “Qual a busca comum da empresa onde você trabalha?”

A falta da Inteligência Social e o fracasso da comunicação interna

A falta da Inteligência Social e o fracasso da comunicação interna

Diariamente reflito sobre o porquê da dificuldade de implantarmos um processo de comunicação interna em algumas empresas. Participando recentemente de um curso sobre Inteligência Emocional, que abordou o tema Inteligência Social, tive reafirmada minha convicção de que a falta desta em certos líderes é com certeza um dos fatores que contribuem para o fracasso de algumas tentativas de implantação. Vejamos: são 6 as habilidades que devem ser trabalhadas no desenvolvimento da Inteligência Social; Comunicação Verbal, Comunicação Não Verbal, Autoapresentação, Assertividade, Feedback e Empatia.

Quando falamos sobre envolver e engajar o colaborador nos referimos a impactá-lo, principalmente, por meio do discurso direto da liderança de forma assertiva, que traga retorno aos anseios deste público e que gere empatia. Ou seja, a fluidez de um processo de comunicação interna depende do amadurecimento das habilidades que, bem resolvidas, definem um estágio de inteligência social excelente.

Na falta de um nível razoável desta inteligência por parte da liderança, peça importantíssima, para não dizer chave, em um processo de comunicação organizacional, o resultado do mesmo tem gigantescas chances de fracasso.

Desespero total? Não, de forma alguma. O início do desenvolvimento de um bom trabalho de comunicação para uma empresa é realizado com o estudo e preparação da sua liderança. Diante do exposto, nos resta abordar nesta preparação as habilidades que regem uma inteligência social efetiva e colaborar no direcionamento dos que mais necessitam desenvolvê-las!

Então, o que podemos aprender sobre comunicação com as festas juninas?

Então, o que podemos aprender sobre comunicação com as festas juninas?

Hoje, em todo o país, começam oficialmente as comemorações juninas.  Mas por que falar de festa junina aqui? Porque celebrações culturais nos ensinam muito sobre comunicação. A começar pelo fato de que criar uma identidade com o seu público não acontece somente pelo conteúdo que você está passando, ou seja, as pessoas não gostam de festa junina somente por ser uma festa que celebra todos os santos e ocorre em vários países.

As celebrações juninas encantam e criam laços pelo contexto, pelo visual, pelos sabores e, principalmente, pela tradição. Todos os nossos sentidos são aguçados em uma festa junina. E ela não acontece num ano sim e no outro não porque não se tem mais dinheiro, ou não tiveram tempo de programá-la. Pequena ou grande ela sempre é festejada, criando identidade que vai sendo passada de geração para geração.

Então, o que podemos aprender com as festas juninas? Que comunicação vai muito além da mensagem que queremos passar, que ela precisa mexer com todos os nossos sentidos/emoções e precisa ser feita ininterruptamente. Viva São João!

Nem antes e nem depois

Nem antes e nem depois

Considero que existem três premissas de sucesso para uma comunicação efetiva: forma, conteúdo e  timing. Destas três, a que mais impacta no resultado a ser alcançado é o timing. E exatamente neste quesito a experiência nos demonstra que as empresas têm mais dificuldade de acertar.

Qual seria o motivo? Falta de estratégia? Agilidade? Não saber o que dizer e preferir não dizer (erro crucial)? Seja qual for a razão, a verdade é que as empresas estão deixando de  lado a “organização temporal do movimento para dar a resposta no momento certo; nem antes, nem depois”, significado de timing no dicionário informal e que traduz com perfeição a efetividade de uma comunicação.

Nem antes e nem depois. Ponto. É isso. A forma pode ser linda, o conteúdo perfeito, mas se chegar para mim muito antes ou minutos depois, ou não fará diferença, ou eu irei achar uma tremenda falta de respeito ser informada naquela altura do campeonato.

E como saber qual é o timing certo? Sensibilidade, experiência, planejamento e saber colocar-se no lugar do outro. Quando fazemos este simples exercício de cidadania é muito difícil errar. Sempre faça a pergunta: “Se fosse eu, quando gostaria de ter recebido esta informação?” Não deixe para antes e nem para depois.

 

Viver em rede: do virtual ao humano

Viver em rede: do virtual ao humano

Estar em rede é a garantia para manutenção da vida. Da alimentação à continuidade das espécies, o mundo só é mundo porque diferentes seres se associam todos os dias para dividir a existência. Não é à toa que, nos últimos anos, a internet entrou para a lista dos itens essenciais à sobrevivência humana. Isso porque, além de extinguir distâncias geográficas e promover conhecimento, a web aproximou e conectou pessoas.

E se a internet transformou a proposta de relacionamento humano, também interferiu na conexão das empresas. Assim como um vírus em constante mutação, a rede imprimiu seu DNA de agilidade e inovação nas relações do mercado. Com ela, novas profissões foram criadas, diferentes canais de comunicação passaram a fazer parte da ligação com os públicos e um novo jeito de fazer negócios começou a existir. Nesse contexto, surgiram espaços abertos para promover integração, interação e informação: blogs, redes sociais, intranets, chats instantâneos, games on-line, etc.

Possuir uma conta em uma dessas plataformas representa o passaporte para a era digital. Mas dentro desse processo de evolução, o que as empresas estão descobrindo é que para viver no mundo tecnológico, a grande exigência é a humanização. Parece um retrocesso? Não. Se o telespectador não pode responder à propaganda da TV ou o leitor não pode comentar o anúncio da revista, nas redes sociais essa experiência se torna possível. Por esse motivo, o diálogo é a grande ferramenta para as marcas que querem conquistar território no meio on-line.

Como em uma relação humana, é preciso possuir identidade, ter um bom papo, falar a língua da tribo a que pertence. Uma grande empresa (não só em porte, mas em presença digital) não tem apenas uma página, mas conquista uma rede de seguidores que tem interesses e valores compatíveis com a marca, busca novas tendências e provê conteúdo de relevância, construindo uma relação real em um ambiente cibernético.

Acima de tudo, as empresas que estão dispostas a se expor na rede, precisam ser coerentes com sua imagem off-line e on-line. Assim como em uma amizade, continuamos prezando pela transparência, pelo respeito e pelo diálogo, regra que vale tanto no mundo virtual quanto no real. Pois, se no mundo real as relações garantiam a existência das marcas, no mundo virtual elas são a chave para a perpetuidade do negócio. Em um meio cada vez mais competitivo, é essa genética que vai definir se a empresa viverá por gerações ou sofrerá o processo de extinção.

 

 

Seu site é responsivo?

Seu site é responsivo?

Os dispositivos móveis são os mais novos reis da conexão. De acordo com as estimativas da Pnad, em 2013, cerca de 130 milhões de brasileiros tinham celular para uso pessoal, um aumento de 49,4% comparado a 2008. Já os tablets, apresentaram um aumento de 10,8% no mesmo período, marcando presença em 7,1 milhões de lares no país.

A pesquisa apontou ainda que mais de 85 milhões de brasileiros afirmaram ter acessado a internet pelo menos uma vez nos três meses que antecederam a entrevista. Desse total, menos da metade (45,3%) acessou a rede via computador, uma queda de 1,2% comparado com 2011.

Com o crescimento do mobile não só no Brasil, mas em todo o mundo, em abril deste ano, o Google alterou seus rankings para que os sites não responsivos fossem cada vez menos exibidos em suas buscas. Mas o que é afinal um site responsivo? Um site responsivo é flexível e se adequa à plataforma móvel, apresentando layout e conteúdo próprio para o ambiente.

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Fonte da imagem: Google

Se antes o cartão de visitas era a marca da empresa que cabia na palma da mão, hoje podemos considerar que o site disputa a mesma função. É no endereço eletrônico que ficarão expostos a marca, a identidade, os valores, produtos, serviços e outras informações importantes. No meio web, este deve ser um dos primeiros contatos e canais aberto com o usuário.

E se a primeira impressão é a que fica, mantenha-se atento para que seu site seja bem visto tanto pelo Google quanto pelo seu cliente:

  • Verifique se o seu site está adequado ao formato mobile. Não basta que o endereço abra no navegador: o layout deve estar adequado, as fontes devem ser legíveis e as páginas de fácil navegação.
  • Tenha um layout atrativo, agradável e correspondente com seu público-alvo.
  • Ofereça conteúdo relevante em sua página. As informações devem ser corretas, claras e com linguagem adequada ao leitor. Muito cuidado com os erros de português e fontes de outros sites!
  • Garanta que seus links e formulários estejam funcionando corretamente. Lembre-se ainda que os canais de contato devem estar abertos e prontos para dialogar com os usuários.

Se não é o mais forte e sim o mais adaptável que sobrevive, não deixe de evoluir. É bom para o usuário e bom para os os negócios: de acordo com o site Info, 74% das pessoas estão mais propensas a voltar para um site se ele for mobile-friendly!

 

Memória: um presente para as organizações

Memória: um presente para as organizações

Se empresas são feitas de pessoas, suas histórias também possuem presente, passado e futuro. Por isso, a biografia de uma organização se funde com a trajetória de seus clientes, colaboradores e da sociedade como um todo. E assim como nos identificamos ao folhear as fotos de um álbum de infância, uma empresa encontra sua memória em colaboradores, documentos, objetos, paredes.

Mas, se o tempo chega para todos, como é possível construir uma empresa para ficar na história? Mudanças do ambiente externo e interno estão frequentemente alterando a rota dos negócios. Além das transformações do dia a dia, trocas na alta direção, fusões, mudanças de espaço físico e até mesmo o turn over são processos que podem aumentar o risco de que o mais importante seja esquecido.

Para garantir que os valores da empresa sejam preservados, é preciso respeitar o passado e considerar o presente como estratégia para garantir o futuro.  Além disso, o DNA deve ser perpetuado em cada decisão e ação para que o propósito da empresa se torne um elemento vivo no cotidiano daqueles que se relacionam com ela.

O primeiro passo, então consiste em reunir, organizar, identificar e conservar documentos, objetos, notícias da imprensa, peças gráficas, produtos, fotos, propagandas, projetos e relatos de colaboradores. Mas o trabalho não para por aí. A empresa só será lembrada se compartilhar conhecimento, transformando dados históricos em informações relevantes.

Desse processo, nascem os livros, exposições, pesquisas, relatórios, estratégias, surge a reputação e envolvimento com os públicos. Essa é uma construção em que todos saem ganhando. A sociedade porque se torna completa com a história das organizações e as organizações porque se completam ao fazer parte da história da sociedade.