Será que a imprensa está fazendo tudo o que pode para cumprir o seu papel antirracista?

Será que a imprensa está fazendo tudo o que pode para cumprir o seu papel antirracista?

Danielle Milarski – Time SempreMais

Nesta semana o Brasil elegeu mais negros para ocupar as câmaras municipais do que em qualquer outro período. Ao informar que Curitiba, por exemplo, elegeu a primeira mulher negra da história da cidade, veículos de imprensa foram acusados, por leitores, de estarem ressaltando demais a cor da pele e que isso seria fomentar mais o racismo. Será que a imprensa está fazendo tudo o que pode para cumprir o seu papel antirracista?

Recentemente a cantora e atriz Negra Li postou um desabafo em suas redes sociais. Disse estar cansada de ser convidada para falar sobre o racismo. “Tudo bem, eu posso falar sobre a minha experiência como mulher negra, como pessoa que veio da periferia, que cantou rap. Mas não é só isso que eu tenho para falar”, disse. A artista, que é mãe de duas crianças, brincou que faz ginástica, gosta de beber vinho, está estudando sobre alimentação saudável e que adoraria falar sobre saúde e maternidade. “O negro tem que ocupar todos os espaços e falar sobre outros temas. Precisam parar de colocar a gente para falar de racismo, esporte e música. Queremos falar de economia, arquitetura, decoração, podemos falar sobre tudo. Isso, sim, é incluir, é nos dar o devido espaço”, reforçou.

Herivelto Oliveira, jornalista e vereador reeleito de Curitiba, lembra que recebeu, em 2011, uma pesquisa do IBGE que dizia que 53% da população brasileira era formada por negros e pardos. Aquilo lhe chamou tanto a atenção que ele teve a ideia de mostrar negros médicos, advogados, bailarinos, exercendo múltiplas atividades. “Não temos somente negros jogadores de futebol e pagodeiros”, enfatiza. O projeto saiu do papel em 2017, quando ele lançou, no Youtube, o canal Brasil de Cor. Deste então, mais de 60 profissionais negros já foram entrevistados.

Sobre as críticas à imprensa na divulgação do resultado das eleições, Herivelto não concorda. Ele não considera que destacar a cor da pele no título das matérias reforce o racismo mas acha a ênfase muito exagerada, em alguns casos. “Torço para chegar o dia em que a gente não precise mais ficar chamando a atenção para quando um negro ocupe um lugar de destaque”, revela. Herivelto vai além. “Hoje nós já temos negros em várias posições importantes que antes eram quase exclusivas de brancos, e eles simplesmente não são mostrados”. “Talvez exista uma explicação para os produtores de reportagem não procurarem negros para falar. Eles não devem ter um caderninho de fontes negras e isso seria importante num país com uma diversidade tão grande quanto o nosso”. “Os negros não aparecem na mídia porque a mídia não os procura. E por que não os procura? Para esta pergunta eu ainda não tenho resposta”.

Cida Bento, psicóloga, pesquisadora e doutora pela Universidade de São Paulo (USP) é uma das fundadoras do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade (Ceert). Eleita em 2015 pela revista The Economist uma das cinquenta profissionais mais influentes do mundo no campo da diversidade, Cida usa o termo pacto narcísico da branquitude para definir como as pessoas brancas anuem entre si para a manutenção de privilégios. Este pacto, segundo ela, colabora com a exclusão de outros grupos nas indicações de trabalho.

Neste Dia da Consciência Negra, data em que somos convidados a refletir sobre a inserção do negro na sociedade brasileira, como comunicadores temos a obrigação de rever nosso processo de trabalho e avaliarmos se estamos simplesmente não sendo racistas ou se estamos fazendo de tudo para exercer o nosso necessário ativismo antiracista.

A vida é uma história – Dia Nacional do Livro

A vida é uma história – Dia Nacional do Livro

Tina Demarche – Jornalista 

A vida de cada um de nós é uma história. Rica e recheada de situações alegres e tristes, momentos bons e ruins, memórias que doem ou acalentam. Isso tudo se alterna e se mistura nos tornando o que somos.

Cada vez que contamos algo para alguém, estamos contando uma história. Independentemente de serem verdadeiras ou ficcionais, importantes ou corriqueiras. Acho isso de uma lindeza sem igual.

Quando eu era criança, minha avó contava histórias para mim. Imigrante alemã, as que faziam parte de seu repertório eram os contos dos irmãos Grimm. Mas o que me encantava eram as histórias da infância dela na Alemanha: as brincadeiras com os irmãos nos bosques, a neve, o Natal, os costumes; além da vinda para o Brasil, de navio, vendo apenas céu e mar por 41 dias. Essas, sim, eram histórias de me entreter por muitas horas e me fazer “viajar” na mesma lembrança, os olhos e o coração no passado dela. Amo essas lembranças e me aproximo muito da minha omama (vovó, em alemão) cada vez que penso nisso.

Desejei escrever para crianças ainda na faculdade e acredito que essa vontade reflete a minha ligação com os contos de fadas que me eram contados. Escrevi algumas histórias na época, mas elas se perderam e a ideia foi ficando para trás na medida em que, formada em Jornalismo, eu passei a contar apenas histórias verdadeiras, fatos! Tristes, aviltantes e degradantes, muitas vezes. Mas também contei sobre muitas descobertas científicas, encontros, iniciativas gratificantes, muitas ocorrências e acontecimentos emocionantes.

Quando meu filho nasceu inventei histórias para ele. Essas também se perderam porque apesar de ter a intenção, nunca as escrevi. O que me motiva a escrever para as crianças é o fato de que a leitura as leva (nos leva também, adultos, quando deixamos) a um lugar aconchegante, dentro de nós mesmos, de onde dá para enxergar além, aprender, descobrir, sonhar. Muitas crianças vivem situações duras de todos os tipos. Se conseguir que elas se desliguem um pouco das tormentas de suas vidas e gostem de ler o que gosto de escrever, estarei imensamente feliz.

O livro “Eu sou a Brisa – Uma cachorrinha feliz!” foi lançado em 2017. Meu primeiro trabalho literário. Hoje faria algumas coisas diferentes nele, mas tudo é aprendizado e nos faz crescer e melhorar. Ele conta a história da minha cachorrinha, que morreu aos 16 anos, oito meses antes do lançamento. É uma homenagem a ela, parceirinha de muitos momentos. A ilustração da Mariana Basqueira é linda nos traços, nas cores e nas semelhanças com a realidade.

Em 2018 tive um conto selecionado para compor a Coletânea Sesc de Contos Infantis. Nesse ano de 2020 comecei uma pós em Literatura Infantil e Juvenil, que a pandemia atrapalhou, mas que promete encantamentos para o ano que vem. E enquanto respeito o isolamento em casa, aproveito para me preparar para participar de outros concursos e novos projetos.

 

O herói do nosso tempo, o grande mestre em comunicação

O herói do nosso tempo, o grande mestre em comunicação

Danielle Milarski – Time SempreMais

Fico tentando colocar no papel todos as qualidades possíveis de encontrar em uma pessoa, em ordem de importância. O que faz uma pessoa ser especial? Seu jeito de ser, eu sei. Se sabe ouvir, dar conselhos certeiros, se faz poesia. Se te faz rir ou te mostra o lado bom da vida. Qual pode ser o gesto mais admirável de um ser humano? Escrevo tudo o que me vem à mente e coloco a generosidade no topo da lista. Gente que doa o que tem sem esperar nada em troca é fora da curva. Gosto de quem é generoso. Gostar é pouco. Admiro. Todo mundo tem um amigo que doa seu tempo, sua fala gostosa, que conta boas histórias e abraça, sem pressa. Nesse mundo de caos, é um respiro ter essas pessoas espalhadas por aí. E o que pode ser mais generoso do que passar a sua vida apontando caminhos, plantando inquietude e instigando a curiosidade? Disseminar conhecimento é um ato extremamente generoso não apenas para com o aprendiz, mas com a humanidade. José Saramago já disse que o professor é o herói do nosso tempo. Ele entende de comportamento, de relações humanas, de afeto. E ele é um grande mestre em comunicação. Ouve, transmite a mensagem, tenta reduzir os ruídos que possam prejudicar o entendimento, tem percepções sobre a compreensão da sua mensagem. Hoje, nossa homenagem e nossa reverência a todos os professores, àqueles que têm em mãos as duas armas mais poderosas para mudar o mundo: a generosidade e a educação.

Comunicação e expressão: competências mais exigidas

Comunicação e expressão: competências mais exigidas

Deisiely Weiber – Time SempreMais

No último dia 21 de agosto, a Folha de São Paulo publicou uma matéria na qual apresenta um levantamento feito pelo Linkedin, que revelou como a comunicação e a expressão ganharam lugares de importância para quem busca um lugar no mercado. Os recrutadores procuram agora, profissionais que atendam a novas competências priorizadas neste cenário de pandemia.

O levantamento resultou também em uma lista com as 10 habilidades mais valorizadas pelos empregadores. Em primeiríssimo lugar, está a comunicação, seguida pela gestão de negócios, resolução de problemas e ciência de dados. Entre essas habilidades ganharam destaque também, a gestão de tecnologias de armazenamento de dados, suporte técnico, liderança e gerenciamento de projetos.

Complementando entre si, e também finalizando esta lista, estão o aprendizado online e desenvolvimento de funcionários, isto porque, dado as novas exigências estabelecidas por um mercado que se adapta às rotinas do mundo, é preciso que haja um entendimento sobre a importância de buscar individualmente ou dentro das empresas, a capacitação profissional.

Em uma entrevista com a consultora e psicóloga Ordália Nocetti, pudemos aprofundar sobre a relevância da comunicação e da capacitação interna para a admissão, e o desenvolvimento de pessoas que já fazem parte de uma empresa.

Sobre a importância da comunicação em trabalhos e rotinas remotas, Ordália responde:

“A comunicação sempre teve um papel importante dentro das organizações, isso desde expressar suas opiniões com objetividade, clareza, saber falar adequadamente do seu trabalho e saber influenciar pessoas, assim como saber ouvir as pessoas facilitando o relacionamento e o trabalho em equipe. No momento em que vivemos com a intensificação do trabalho remoto tornou-se mais relevante, o fato de não ter a presença física onde não estão visíveis outras formas de expressão como a  linguagem corporal então fica evidente a necessidade de ter uma comunicação adequada para cada situação,  desde reuniões, apresentações até entrevistas em processos seletivos”.

Questionamos também sobre a participação das empresas neste incentivo à qualificação dos colaboradores, e como elas podem por meio da capacitação EAD, por exemplo, desenvolver habilidades de comunicação interna.

Ordália:

“A empresa pode demonstrar o quanto a comunicação é uma competência importante e necessária expressando e divulgando isso para seus colaboradores, utilizando canais de comunicação e formas adequadas, servindo até mesmo como exemplo. Pode ter programas de desenvolvimento dando feedback aos seus colaboradores sinalizando os pontos de melhorias e/ou contratando trabalhos para o desenvolvimento como programas de Assessment e Executive Coach. Porém, cada dia mais as pessoas devem ser protagonistas de suas carreiras e buscarem também o aprimoramento de sua comunicação,  algo que não seja somente responsabilidade da organização”.

Para além da comunicação, outras competências que ganharam notoriedade são a organização, adaptação a mudanças e o conhecimento para lidar com novas ferramentas tecnológicas.

Ordália completa:

Cada empresa tem suas particularidades, mas algumas habilidades são relevantes para as organizações em geral, tais como a capacidade de adaptação a mudanças, a organização, a inovação, saber lidar com novas tecnologias, principalmente novas ferramentas que se apresentam para a realização de reuniões e entrevistas”.

O presente momento fez com que muitas pessoas se adaptassem a uma nova maneira de trabalhar, estudar, se reunir e se comunicar, no geral. A prática de trabalhos remotos veio para trazer um conjunto de novas habilidades que deverão ser exigidas nas vagas do presente e também futuro. Dentro deste conjunto, perguntamos a Ordália quais seriam estas habilidades influenciadas por esta nova maneira de trabalho.

Ordália finaliza:

“A comunicação permanece relevante, a questão da organização, a inovação, a flexibilidade, utilização de novas tecnologias, a resiliência frente a adversidades, o autoconhecimento e a capacidade de gerar empatia”.  

Ordália Nocetti atua por mais de 20 anos como Consultora e Psicóloga. Na consultoria, trabalha com processo de coaching, transição de carreira e processo seletivo. Com graduação em psicologia, Ordália tem MBA em Gestão Executiva, Certificação em Executive Coaching, Qualificação em instrumento MBTI e é Certificada em Ferramenta DISC.

Assessoria de Imprensa ou Assessoria de Formadores de Opinião?

Assessoria de Imprensa ou Assessoria de Formadores de Opinião?

Ultimamente temos refletido sobre o nome da atividade ‘Assessoria de Imprensa’ ser mudado para ‘Assessoria de Formadores de Opinião”. Isso porque nos últimos anos, a notícia ultrapassou os canais de imprensa e passou a ser trabalhada também por outros  formadores de opinião, sem ser os jornalistas, em diferentes meios. Ou seja, traçar uma estratégia que posicione seu cliente somente junto a imprensa pode, dependendo do seu objetivo, ser uma tremenda furada. Ora, como o trabalho tomou um escopo muito maior, o nome também deveria representar a abrangência dessa atividade não?

Pessoas que “têm a capacidade de influenciar e modificar a opinião de outras pessoas nos campos político, social, moral, cultural, econômico, esportivo, entre outros” estão sendo seguidas e aclamadas por um público muito maior do que o que acompanha somente a imprensa tradicional.

Preparar, portanto, o seu porta-voz somente para falar em rádios e TVs, sem englobar no seu media-training técnicas de participação em Lives, programas no Youtube e podcast´s, já não existe mais. Preparar um mailing somente com dados de rádios, Tvs , jornais e revistas impressos e on-line, também não existe mais. Então voltamos ao início deste texto: a assessoria não é somente para a imprensa certo?  

Sabemos que assim como a ordem dos fatores não altera o produto, mudar ou não o nome de uma atividade não implica que ela será feita de modo mais assertivo. O objetivo dessa reflexão foi apenas para sacudir quem ainda está fazendo Assessoria de Imprensa, somente para a imprensa (e não são poucos!) e ouvir sua opinião. Mudar de nome não seria uma boa?

Dia do Documentário Brasileiro

Dia do Documentário Brasileiro

Deisiely Weiber – Time SempreMais

Prepare a pipoca e junte a família para comemorar este dia prestigiando incríveis documentários nacionais!

Mas afinal, o que é um documentário?

Gênero do cinema, o documentário é um produto audiovisual que reproduz,representa, ou ainda, exibe um recorte da realidade.

O formato ou conteúdo que compõe um documentário é livre, de acordo com as preferências e perspectivas de quem o produz e tem em suas mãos e mente, o poder de criá-lo e dar forma para legitimar diferentes protagonistas de histórias da vida real.

Um documentário se inicia em uma ideia, se constrói com pesquisas, ganha forma em um roteiro e se transforma em obra quando assistido pelo público.

A data de hoje é em homenagem ao cineasta e documentarista Olney São Paulo que nasceu neste dia em 1936, e teve grande representatividade no cinema nacional.  Esta data também contribui para refletir sobre a história de Olney, que foi preso e torturado durante a ditadura militar nos anos de 1960 por uma infeliz coincidência que associou seu nome e sua obra a um sequestro de avião realizado por um grupo revolucionário que lutava contra a ditadura, o MR-8.

Fazer cinema no Brasil não é fácil, pois a cultura ainda não recebe grande prestígio ou incentivo. Mas lembrar o dia de hoje pode despertar interesse para quem nunca assistiu a um documentário nacional.

Nosso país conta com grandes representantes do gênero documentário que contribuíram com suas obras. Se você está instigado e deseja conhecer um deles, Eduardo Coutinho é um nome indicado e importante para quem admira este gênero do cinema.

E para conversar com quem entende do assunto, entrevistamos a professora de jornalismo nas matérias de audiovisual da Universidade Positivo, Sandra Nodari. Sandra já contribuiu para documentários fazendo a parte de pesquisa na produção. Acompanhe!

Qual a importância do documentário para o mundo?

Sandra: “O documentário é um gênero que faz asserções à realidade, quer dizer, discute sob o ponto de vista do Diretor, assuntos relacionados ao mundo e, por isso, tem uma relevância imensa nas reflexões da humanidade. Como há diversas categorias de documentários é possível refletir sobre assuntos atuais ou antigos de acordo com os realizadores que cada um mais gostar. Por exemplo, os documentários exibidos nas emissoras de TV, normalmente são aqueles de cunho mais educativo, expositivos, que tentam ensinar algo às pessoas. Há outros que trazem reflexões sobre as desigualdades sociais, por isso, é um espaço de discussão de quem somos e o que estamos fazendo com o mundo.”

Sobre a experiência em produzir ou fazer parte da produção de um documentário, e identificar-se com o processo de pesquisa, Sandra responde:

Eu sou muito grata por ter sido apresentada à produção de documentário, no início dos anos 2000, pela diretora Joana Nin que me convidou para o primeiro projeto dela. E minha função desde o início foi na pesquisa de personagens,. Aos poucos fui descobrindo que pesquisar personagens é uma forma de roteirizar os documentários, uma vez que, ao encontrar as pessoas e descobrir suas histórias o projeto vai ganhando forma. Ao fim da pesquisa, o desenho do roteiro vai se concretizando. O documentário nos leva a lugares que não iríamos se não fosse pela produção audiovisual, entramos em lugares, vivemos situações, conhecemos pessoas e temos experiências que só os projetos nos permitem ter.”

É importante ressaltar que um documentário não é o mesmo que um filme. Sandra explica:

“Um filme de ficção é indexado como tal pelo Diretor e não tem nenhum compromisso ético com o tema tratado, nem com os personagens. Já um documentário precisa seguir a ética deste gênero, que é algo fundamental para classificar um audiovisual como filme de não-ficção. E esta ética é definida pelo Diretor, apresentada por ele durante o filme. O compromisso ético se dá também com os personagens, a negociação feita com cada pessoa. A partir das autorizações de uso de imagem e voz elas têm de ser cumpridas, independentemente do que aconteça. Como o documentário trabalha com pessoas, a vida dessas pessoas, suas histórias devem ser respeitadas.”

Durante a produção de um documentário, diversos desafios e dificuldades podem surgir e, trazendo alguns exemplos, Sandra complementa:

“Há muitos desafios, antes havia mais ainda, mas hoje com a facilidade de acesso à tecnologia ficou um pouco mais fácil de tirar as ideias da cabeça, transformá-las em pesquisa, em roteiros, em produções e dar vida aos documentários. As dificuldades são primeiramente financeiras e depois depende de cada projeto. Há autorizações necessárias para filmar pessoas, entrar e filmar lugares, contar histórias, e assim por diante. E depois de tudo, ainda há a dificuldade de escolher a narrativa, a linguagem, e, finalmente, a exibição. Ter pessoas que queiram assistir ao documentário.”

Sandra fez parte de um projeto documentário chamado Proibido Nascer no Paraíso que conta história de mães que são obrigadas a saírem da Ilha Fernando de Noronha quando chegam na 26º semana de gravidez, um retrato obscuro em meio a tanta beleza que compõe a ilha. Sandra conta os detalhes desta experiência:

“Foi uma das boas experiências que o documentário me deu. Conheci a ilha de Fernando de Noronha fiquei lá por 20 dias e fui muito bem recebida pelas mulheres moradoras daquele lugar paradisíaco. Foi difícil, no início, porque não conhecia nenhuma pessoa da ilha e precisava descobrir quem eram as mulheres que estavam grávidas e entender as histórias delas. Não tinha ninguém pra pedir indicação, então, o negócio foi sentar no banquinho externo do hospital e esperar uma gestante aparecer para me apresentar e contar do projeto. Conforme elas foram tendo confiança em mim, conheci várias outras mulheres e a pesquisa foi mais tranquila. Só pude aproveitar, realmente, o paraíso, depois de uma semana focada na pesquisa. Me lembro que num sábado à tarde, uma das personagens, indignada que não tínhamos ido passear ainda, nos levou (eu e Joana Nin) até a praias do Sancho, uma das mais belas do mundo. Me lembro que minha cara era só sorriso. Foi sensacional. A história das grávidas é muito triste, pude conhecer os dois lados da ilha, a dos turistas e a dos moradores, é luxo de um lado e pobreza do outro. As grávidas são obrigadas a deixar a ilha quanto chegam a 26 semanas de gestação, isso é desumano. São separadas das famílias, obrigadas a entrar em licença maternidade, em um momento de muita fragilidade.”

Com uma linguagem especial e visão da realidade, o documentário vai além de apenas narrar um fato ou um cotidiano. Um documentário dá voz para aqueles que muitas vezes não são ouvidos nem dentro de suas próprias casas, e tem potencial de fazer estas vozes ecoarem mundo a fora. Portanto, aproveite este dia para prestigiar este gênero cinematográfico brasileiro, há diversas plataformas de streaming que disponibilizam alguns deles.

Parabéns a todos documentaristas brasileiros, e todos aqueles que contribuem ou contribuíram para este gênero. Viva a produção audiovisual, viva a comunicação através das lentes!

O inimaginável por meio das palavras

O inimaginável por meio das palavras

Deisiely Weiber – Time SempreMais

No dia 25 de julho de 1960 o Ex-ministro da Educação e Cultura Paulo Penido homenageava escritoras e escritores do Brasil no I Festival do Escritor Brasileiro, patrocinado pela União Brasileira de Escritores (UBE).

O dia de hoje então, celebra aqueles que conseguem fazer o inimaginável por meio das palavras, sejam elas escritas, digitadas, cantadas ou traduzidas. Todo escritor tem em si poderes que conseguem divergir em cada pessoa, sendo necessário para cada um da maneira que deve ser.

A SempreMais Comunicação valoriza e reconhece como essa profissão é fundamental para nossas vidas, e por isso, para comemorar a data entrevistamos o escritor, professor e também jornalista Murillo Leal, que falou sobre essa “disciplina” (como ele mesmo refere), de escrever.

Será que existe um momento certo para se tornar escritor? Como podemos ter esta percepção?

Murillo – “É difícil pontuar um momento. Acho que sempre fui. Mas me lembro sempre de um dia em que estava muito triste com uma situação e abri um documento no computador para tentar me explicar melhor o que eu mesmo estava sentindo. Acho que foi ali que a minha história com a escrita começou.

Quando era menino, adorava escrever sobre a minha vida. Isso foi se tornar uma profissão reconhecida depois que me tornei um jornalista. Acho que um segundo momento importante para a minha carreira foi ter contato com histórias de pessoas. Isso sempre me fascinou demais.

Eu costumo dizer que acho que sempre serei escritor, mesmo que um dia, por alguma razão inexata, eu tenha que abandonar a minha vida como escritor e fazer outra coisa para sobreviver. Seja o que eu esteja fazendo, sempre serei um escritor”.

Escrever é, em uma de suas definições populares, narrar histórias e também vivenciá-las para compartilhar com o mundo.

Sobre a importância desta definição, Murillo explica:

“Tudo que existe tem uma história. Acho que quando fazemos o exercício de entender sobre as histórias das coisas começamos a compreender melhor tudo. O escritor tem uma certa imortalidade quando ele registra a história das coisas, é sempre alguém deixando sua marca produtiva no mundo. Ser capaz de viver e documentar história é, em si, o poder de ser uma peça chave pro mundo. Ao mesmo tempo em que isso ajuda a entender a gente mesmo, o outro e o mundo ao nosso redor”.

Quando nos desperta a vontade de escrever, mesmo que não sejamos escritores consagrados e reconhecidos, mas quando decidimos escrever pela primeira vez sobre alguma coisa que sentimos, vivemos ou presenciamos, dificilmente ficamos livres de nossas mais profundas sensações.

Sobre o que sente quando escreve e também como a inspiração está presente durante sua escrita, Murillo descreve:

“Eu escrevo sempre sobre tudo. Não há nenhum tema que o autor precisa acovardar-se. Eu descobri que as pessoas querem exatamente isso. Elas não querem pessoas que se escondam atrás de ideias falsificadas para serem aplaudidas. Bons leitores gostam de autores ousados, que os desafiem, que os tire do lugar, que os provoque nos seus piores dias, que os faça pensar diferente e que os coloque diante de uma nova ação para com a vida. Nesse sentido, acho que o autor tem esse papo fundamental de não se trair, no sentido de não esconder dos leitores suas emoções, seus medos, seus receios e suas humanidades mais internas. Acho que a inspiração pode estar na observação contínua viciada em encontrar coisas interessantes e principalmente na capacidade de se pré-dispor ao desconhecido na busca de algo que ainda não encontrou antes. Inspirar não é esperar cair do céu, é ir para a rua e observar tudo.

Todos nós algum dia tivemos que escrever sobre alguma coisa, seja qual for o tema. Mas, só por isso, somos escritores também? Saber escrever é uma arte?

Murillo continua:

“É uma disciplina. Claro que existe sim algumas pessoas com mais facilidade em ser criativas e tem uma aptidão mais convencional a escrita, mas como eu reforço sempre na Comunidade de Conteúdo, todo mundo pode aprender a escrever porque a comunicação está em todas as esferas da vida humana.

Desde mandar um e-mail para o chefe até escrever uma carta de desculpas porque esqueceu o dia do casamento. Analfabeto não é quem não sabe escrever e ler, é quem sabe, mas não faz da melhor maneira”.

Para entender o que significa ser um escritor e quais habilidades são essenciais para ter e explorar nas escritas, Murillo define:

Ser escritor, Significa dar voz a ideias absurdas. Falar as maiores loucuras, criar as mais diversas situações, experimentar lugares totalmente diferentes e ser sempre alguém diferente a cada enredo. Existem sempre habilidades mais fundamentais como dominar um pouco do idioma, saber driblar a era da competição por atenção, ser capaz de ser humano. Mas costumo dizer que o que faz uma boa história para mim é ser importante para seu leitor sempre. É ele entender que depende de você para ter um pouco de vida fora da vida dele. É ser capaz de tocar as pessoas exatamente onde elas precisam naquele momento, com delicadeza, mas com intensidade”.

Frisamos sempre em nossos artigos e em nossos valores a importância da comunicação. Nós somos comunicação e vivemos ela em todos os momentos de nossas vidas. E é claro que, para um escritor não seria diferente. Por isso, sobre a participação da comunicação na rotina de um escritor, Murillo explica:

São como céu e mar. Não são a mesma coisa, mas se complementam na beleza. Um depende do outro, mas comunicar-se bem não quer dizer ser um escritor. E vice-versa. A rotina do escritor não é apenas escrever, é registrar acontecimentos”.

Conhecemos que diante do momento atual em que estamos lidando, em uma pandemia, exploramos nossos comportamentos de maneira mais intensa. Estamos também conhecendo e aprimorando nossas capacidades.

Esta situação embora tenha seus lados negativos, tem para o escritor Murillo uma oportunidade:

 “Eu tenho trabalhado por anos no regime semiaberto do home-office, mas acredito que crises como essas são um grande divã para todos. Eu criei uma sessão de textos especiais sobre a quarentena no meu site que me ajuda a pensar melhor essa situação toda.

Murillo Leal é um dos maiores influenciadores do Linkedin no Brasil com mais de 390 mil seguidores. Depois de mais de 10 anos criando conteúdos, ele atua na maior rede de negócios do mundo como Top Voice do Linkedin. Como professor, ele é reconhecido como um dos melhores especialistas em Storytelling, e oferece em seu site o curso para este tema.

Livro, artigos e mais curso sobre conteúdo você encontra na página do Murillo Leal, basta acessar os links marcados ao longo da entrevista, ou pelo link: https://www.murilloleal.com.br/

A SempreMais Comunicação deseja um feliz dia aos escritores!

Você sabia que a Liberdade de Pensamento é garantida por lei em nossa Constituição? Entenda como se dá esse direito!

Você sabia que a Liberdade de Pensamento é garantida por lei em nossa Constituição? Entenda como se dá esse direito!

Deisiely Weiber – Time SempreMais

Presente no Artigo 5º da Constituição de 1988, o Inciso IV fala sobre a Liberdade de Pensamento, a qual também deve seguir a um parâmetro para ser exercida sem interferências do Estado.

Todo cidadão tem consigo a liberdade para pensar como e sobre o que quiser, sem que tenha interferências exteriores ao que pensa. Mas, quando esses pensamentos são expostos e aplicados a outras pessoas por meio de diversos canais de comunicação, como internet e televisão,por exemplo, há um limite para essa prática mesmo com a existência do Artigo.

Porque, além da liberdade, uma condição humana que deve ser priorizada entre todos é o respeito, e quando essa liberdade excede seu modo de definição e passa a ser uma libertinagem que desrespeita o outro, já não se enquadra como um direito que não sofre interferências do Estado, e para isso, se faz necessária a Constituição, que por meio das leis, pode julgar e punir quem a excede de maneira negativa.

Sobre esse assunto, a Constituição diz que “É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”. Portanto, ao expressar um pensamento ou opinião sobre o que quer que seja não se pode fazê-la como anônimo, e sim, identificar-se para que esteja preparado a arcar com as consequências daquilo que expôs.

Nesse sentido, a frase do filósofo inglês Herbert Spencer contribui para um melhor entendimento sobre as limitações exercidas sobre a liberdade de pensamento. Segundo Herbert, “A liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro”.

Portanto, somos livres para pensar sobre o que quisermos internamente, mas quando compartilhamos nossos pensamentos com o mundo exterior ao nosso, temos que assumir a responsabilidade sobre a exposição do que pensamos, ou seja, arcar com as consequências da liberdade dos nossos pensamentos que não podem, jamais, ferir a integridade ou atacar o próximo. Pois a eles também são garantidos direitos de liberdade individual.

Com a inserção das mídias digitais, compartilhar pensamentos e opiniões ganhou uma grande e perigosa facilidade. Por isso, quando se está sob responsabilidade de uma rede social que representa grandes empresas, marcas, nomes, e pessoas, é preciso garantir uma gestão equilibrada e baseada em valores assertivos, pautados no respeito ao próximo.

O respeito deve permanecer de qualquer forma, seja em nossos pensamentos ou em nossa expressão, e sermos livres para pensar não nos dá o direito para julgar ou opinar sobre as escolhas ou posições do outro, mas para tornar a democracia uma realidade cada vez mais presente.

A importância da comunicação linear nas redes sociais em tempos de pandemia

A importância da comunicação linear nas redes sociais em tempos de pandemia

Deisiely Weiber – Time SempreMais

Desde o nosso surgimento sempre nos adaptamos a uma nova forma de conseguirmos nos comunicar de maneira linear e democrática, a fim de compartilharmos conhecimentos, experiências, informações e habilidades ao longo de nossas vidas. O que não se difere do momento atual, ao qual estamos ainda mais presentes no que chamamos e conhecemos de “ciberespaço”. Esse mundo digital, já presente em nosso dia a dia, tem agora, em um momento de pandemia e de quarentena, seu uso e vivência intensificados em nossas vidas.

As redes sociais que chegaram para ampliar a comunicação entre pessoas, marcas, clientes e trabalhos, dentre tantas outras, proporcionam agora a única aproximação recomendada e permitida, a aproximação digital. E nesse universo cada vez mais movimentado e popularizado, manter uma comunicação transparente e linear pode proporcionar, além da fidelização, credibilidade e experiências positivas para qual público ela for direcionada, se feita com planejamento, sabedoria e organização. Saber fazer a gestão tanto do conteúdo como da própria rede social em que se atua, também é uma vantagem requisitada para o momento atual vivido, pois não basta mais somente a criação de uma conta em qualquer rede social; ela precisa ser sabiamente alimentada e movimentada!

A quantidade exagerada de informações que se cruzam, se conectam, ou mesmo se desmentem neste momento, não é algo que agrega valor a qualquer instituição ou perfil mediático. É preciso saber e também aplicar as bases da comunicação interativa e de relacionamento, o quê comunicar, como comunicar, por meio  de qual meio será comunicado e para qual público será direcionado essa comunicação? Tudo isso deve ser respondido e praticado da melhor forma possível. Ter uma agência especializada em comunicação sob responsabilidade desses e outros questionamentos que permeiam pelas interações, é garantir que todas essas perguntas sejam além de respondidas, aplicadas e conduzidas coerentemente em busca de um resultado que possa agregar no âmbito das comunicações.

O processo de interagir com grandes marcas, clientes, serviços, perfis artísticos ou profissionais e até mesmo  amigos e familiares ganhou o espaço de hábito essencial para os dias de hoje. E saber se expressar com sabedoria e cautela permite uma conexão que pode permanecer além da duração desta quarentena, e formalizar assim, uma maior abrangência alcançada e conquistada, resultado significativo de uma comunicação bem idealizada e realizada.

Comunicar linearmente tornou-se, mais do que nunca, uma atividade fundamental em meio a todas as fusões e desdobramentos que podem acontecer nos meios digitais, e para isso, manter a visibilidade ativa e compreensiva ao público que cresce na medida que se passam os dias é um serviço vital para a sobrevivência de todos no mundo digital.

 

 

O autismo social e o futuro da comunicação

O autismo social e o futuro da comunicação

Participei esta semana da reunião de pais na escola da minha filha e ouvi a diretora falar sobre a preocupação crescente da instituição com o autismo social. Segundo ela, os casos têm aumentado consideravelmente fruto de uma alienação que as crianças têm sentido dentro das próprias casas.

Pais, mães e filhos conectados com seus aparatos tecnológicos, 24 horas ininterruptas, e desconectados da conversa no café da manhã, no almoço e no jantar, da leitura do livro antes de dormir, do passeio de bicicleta no parque no final de semana (sem ouvir ou ler mensagem no whats)…

A reflexão aqui não vem para discutir ou apontar erros e acertos nas formas de convívio familiar. Mas, ao ouvir a explanação da diretora, pensei automaticamente como será a geração fruto do autismo social, com a qual eu terei que conversar como especialista em comunicação interna de uma empresa!

O autista tem como característica inabilidade para interagir socialmente, dificuldade no domínio da linguagem para comunicar-se ou lidar com jogos simbólicos, padrão de comportamento restritivo e repetitivo. Além disso, autistas têm dificuldade de lidar com mudanças, por menores que elas sejam.

É óbvio que aqui estamos falando de características inerentes aos autistas diagnosticados com a doença nos seus mais diferentes níveis e que não são, necessariamente, parte do quadro de um autista social.

Mas a dificuldade de interação social e de lidar com as mudanças, requisitos mais que necessários num processo de comunicação, estão presentes neste quadro de autismo social.

O limite que os pais antes tinham que impor aos filhos é preciso agora ser trabalhado também por eles.

… Há tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e de dançar….

É preciso saber trabalhar nossos tempos, mesmo os diários. É preciso estar mais presente na vida de nossas crianças e trazê-las ao convívio social face to face 😉

O futuro agradece!