Em um cenário empresarial cada vez mais pressionado por demandas de sustentabilidade, diversidade e governança, a engenheira de materiais Gessica Bazzi se destaca por unir rigor técnico e sensibilidade comunicacional. Com mestrado em metalurgia, especialização em tubulação industrial e uma sólida formação em áreas como Segurança do Trabalho, Liderança, ESG e Neurociência aplicada à produtividade, ela construiu uma trajetória que vai muito além da técnica: transformou métricas complexas em linguagem acessível e engajadora.
Uma das iniciativas mais emblemáticas de Gessica foi o desenvolvimento de uma ferramenta que auxilia no cálculo da pegada de carbono em eventos a partir da correspondência com dados de carbono equivalente, o que chamou de “carbonômetro”. Mais do que números em planilhas, o objetivo foi traduzir dados técnicos em consciência coletiva. “O que não se mede, não se gerencia, e o que não se comunica com clareza, não se engaja”, afirma. Ao substituir jargões por exemplos cotidianos, como quilômetros percorridos ou tipo de transporte utilizado, ela conseguiu aproximar colaboradores da sustentabilidade sem perder o rigor científico.
Para Gessica, o grande desafio das empresas é entender que ESG não é custo, mas valor de mercado. Relatórios técnicos, quando mal comunicados, se tornam burocracia. Já quando traduzidos em indicadores financeiros e em impacto direto na competitividade, ganham força estratégica. “O ESG deixou de ser uma escolha ética para se tornar uma condição de existência”, explica, destacando que empresas sem governança e métricas claras se tornam riscos comerciais para seus próprios clientes.
A engenheira defende que a comunicação é espinha dorsal do ESG. Sem ela, práticas sustentáveis podem ser vistas como obrigações burocráticas ou marketing vazio. Com uma linguagem simples e objetiva, é possível transformar colaboradores em agentes de mudança e aproximar a comunidade das ações corporativas. “A comunicação eficaz humaniza a estratégia e mostra que o ESG é a atualização necessária para garantir a sobrevivência e o legado das empresas”, reforça.
Sua atuação também se estende ao campo social. Como presidente da CIPA do Crea por dois anos, Gessica promoveu treinamentos sobre assédio, ergonomia cognitiva e equidade. Para ela, a comunicação interna é mecanismo de segurança jurídica e psicológica, capaz de dar materialidade às políticas de diversidade e transformar discursos em práticas reais.
Na visão de Gessica, o Brasil caminha para uma era de transparência radical. Relatórios anuais estáticos dão lugar ao monitoramento contínuo, e a sociedade exige evidências concretas de que sustentabilidade não é apenas discurso. “O sucesso das organizações dependerá da capacidade de transformar complexidade técnica em propósito claro”, afirma.
Seu conselho é direto: comece pela coerência entre discurso e prática. Antes de grandes campanhas, é preciso estruturar governança sólida e dar poder real aos departamentos responsáveis. “Comunicação sem ação é greenwashing”, alerta. Para ela, traduzir ESG para o cotidiano dos colaboradores é o caminho para criar um exército de embaixadores autênticos.