Flávia Silva, especialista em Treinamento e Desenvolvimento, Diversidade e Inclusão, com mais de 15 anos de experiência na gestão de pessoas, tem se destacado pelo trabalho de promover o crescimento profissional e a liderança de mulheres negras, além de apoiar empresas na construção de ambientes mais inclusivos. Em uma conversa sobre o papel da comunicação interna na promoção de um ambiente de diversidade e inclusão, Flávia compartilhou insights sobre como as empresas podem realmente transformar suas culturas organizacionais.
- Como você acredita que a comunicação interna pode ser uma ferramenta poderosa para promover a diversidade e inclusão dentro das empresas?
Flávia Silva: A comunicação interna tem um papel fundamental porque é por meio dela que os valores da empresa se tornam reais no dia a dia das pessoas. Se a empresa deseja criar um ambiente de trabalho mais diverso e inclusivo, a comunicação precisa garantir que todas as vozes sejam ouvidas e representadas. Isso significa dar espaço para diferentes perspectivas, compartilhar histórias reais e mostrar, na prática, que a empresa se preocupa com esses temas. Quando a comunicação interna é bem trabalhada, ela faz com que os colaboradores se sintam à vontade para serem quem realmente são, sem medo de julgamentos.
- Quais são os principais desafios enfrentados pelas empresas ao implementar práticas de diversidade e inclusão na comunicação interna?
Flávia Silva: Um grande desafio é evitar que a diversidade seja tratada apenas como uma campanha de marketing, sem impacto real na cultura da empresa. Muitas vezes, as ações de diversidade são vistas como algo superficial se não houver ações concretas por trás. Outro ponto crítico é garantir que todos se sintam representados, já que a diversidade abrange várias dimensões, como raça, gênero, idade, deficiência, orientação sexual, e mais. E, claro, há sempre a resistência de pessoas que não entendem a importância do tema, o que exige um trabalho contínuo de sensibilização.
- Quais boas práticas as empresas podem adotar para garantir que a comunicação interna seja mais inclusiva e acessível a todos os colaboradores?
Flávia Silva: Uma das práticas mais simples e eficazes é ouvir os colaboradores. Quando as empresas permitem que as pessoas compartilhem suas experiências e perspectivas, a comunicação se torna mais autêntica. Também é crucial cuidar da linguagem e garantir acessibilidade, como legendas em vídeos, formatos de texto acessíveis e audiodescrição. Além disso, é importante destacar histórias reais de pessoas dentro da empresa, para mostrar que a diversidade não é só um conceito, mas faz parte da cultura organizacional.
- Qual é o papel da liderança na comunicação interna quando o assunto é diversidade e inclusão?
Flávia Silva: A liderança tem um papel essencial. Se os líderes não estiverem comprometidos com a diversidade e inclusão, qualquer esforço de comunicação interna perde credibilidade. Os gestores devem falar sobre o tema, mas mais importante ainda, agir de forma coerente. Quando um líder demonstra respeito pela diversidade e incentiva a troca de experiências entre pessoas diferentes, ele dá um exemplo poderoso para toda a equipe. É fundamental que os líderes estejam dispostos a aprender, reconhecer erros e promover conversas sinceras sobre o assunto.
- Como as empresas podem equilibrar a promoção de um ambiente inclusivo sem cair em “ativismo corporativo” ou práticas forçadas?
Flávia Silva: O segredo está na autenticidade. Quando a empresa fala sobre diversidade apenas em datas comemorativas ou usa imagens de pessoas diversas sem refletir isso internamente, os colaboradores percebem e ficam céticos. A inclusão precisa ser parte do dia a dia da empresa — desde a divulgação de vagas de emprego até como os líderes lidam com situações de preconceito. O envolvimento das pessoas diretamente afetadas é fundamental, pois as campanhas precisam refletir as experiências reais dos colaboradores.
- Quais erros mais comuns as empresas cometem ao tentar integrar a diversidade e a inclusão em sua comunicação interna?
Flávia Silva: Um erro comum é tratar a diversidade como uma obrigação ou uma tendência passageira. Muitas empresas fazem campanhas bonitinhas, mas sem compromisso real com mudanças, o que acaba desmotivando os colaboradores. Outro erro é falar sobre inclusão sem envolver de fato as pessoas que vivem essa realidade. Às vezes, a comunicação fica excessivamente institucional e fria. A solução é adotar uma comunicação mais próxima, mais humana.
- Como a comunicação interna pode ajudar a criar um ambiente mais seguro e acolhedor para colaboradores de diferentes etnias, gêneros, orientações sexuais e outras características diversas?
Flávia Silva: O primeiro passo é garantir que a comunicação interna seja um espaço seguro para todos. A empresa precisa estar aberta a ouvir diferentes perspectivas e dar visibilidade a histórias que precisam ser compartilhadas. Quando os colaboradores percebem que a empresa está disposta a escutar e melhorar, eles se sentem mais à vontade para contribuir e se expressar. Além disso, é importante que a comunicação não seja apenas institucional, mas também prática, mostrando as políticas e os recursos que a empresa oferece para apoiar quem precisa.
- Que estratégias a comunicação interna pode adotar para educar e sensibilizar os colaboradores sobre a importância da inclusão sem ser impositiva?
Flávia Silva: A chave é trazer conteúdos reflexivos, ao invés de simplesmente impor conceitos. Em vez de apenas afirmar que “a diversidade é importante”, a empresa pode compartilhar histórias reais de colaboradores e mostrar os impactos positivos de um ambiente inclusivo. Momentos de troca — como rodas de conversa ou conteúdos interativos — também são uma excelente maneira de permitir que as pessoas cheguem às próprias conclusões, sem uma abordagem punitiva ou moralista.
- Como garantir que todos os colaboradores, especialmente os de grupos marginalizados, se sintam representados na comunicação interna da empresa?
Flávia Silva: Para garantir representatividade, a empresa precisa refletir sobre quem está criando o conteúdo e tomando as decisões. Muitas vezes, a falta de representatividade acontece porque a comunicação é feita por um grupo homogêneo. Portanto, é essencial envolver pessoas de diferentes perfis na criação desses materiais. A representatividade vai além da imagens — é preciso garantir que as narrativas contemplem diferentes experiências e realidades.
- Quais métricas ou indicadores você recomendaria para avaliar a eficácia das ações de diversidade e inclusão na comunicação interna?
Flávia Silva: O impacto real no dia a dia dos colaboradores é o melhor indicador. Algumas formas de medir isso incluem:
- Engajamento nas campanhas: quantas pessoas interagem com conteúdos sobre diversidade, participam de eventos internos ou acessam materiais educativos?
- Pesquisas internas: fazer enquetes para entender se os colaboradores se sentem representados na comunicação.
- Feedback qualitativo: ouvir diretamente as pessoas para avaliar o impacto da comunicação.
- Clima organizacional: observar se há mudanças na percepção de inclusão ao longo do tempo.
Em última análise, a comunicação só é eficaz quando gera um impacto real na experiência diária dos colaboradores. O termômetro de sucesso é o quanto as pessoas se sentem parte do ambiente de trabalho e livres para serem quem são!